quarta-feira, 28 de junho de 2017

quarta-feira, 21 de junho de 2017

ANTÓNIO DE SOUSA MAYA

Pioneiro da aviação em Portugal tendo atingido a patente de Brigadeiro-General no Exército Português.
Alistou-se como voluntário no Regimento de Cavalaria N.º 4, tendo sido incorporado no dia 29 de Outubro de 1905 e concluído o Curso de Cavalaria da Escola do Exército com uma classificação final de 13,9 valores.
No dia 2 de Fevereiro de 1916 embarcou para a Grã-Bretanha e Irlanda para iniciar a 7 de Março a instrução de piloto aviador tendo concluído a mesma a 7 de Junho de 1916 e prestado serviço na Frente Ocidental durante a Primeira Guerra Mundial em missões de reconhecimento. Foi entre outras condecorações agraciado com o grau de Cavaleiro da Ordem Militar de Avis a 15 de Fevereiro de 1919, o grau de Cavaleiro da Ordem Militar de Cristo a 29 de Março de 1919 e o grau de Comendador da Ordem Militar de Avis a 27 de Dezembro de 1927.
Foi ainda proposto pelo Ministro da Guerra, para o Grau de Cavaleiro da Ordem Militar da Torre e Espada, em 20 de Março de 1923, tendo no entanto sido esta proposta rejeitada, pelo Conselho da Ordem, em Maio de 1923
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Colaboração de Madiba P. Moreira

quinta-feira, 8 de junho de 2017

ALBERTO LELLO PORTELA

Nasceu na freguesia de Fontes, do concelho de Santa Marta de Penaguião, em 10 de Junho de 1893, tendo falecido em Setembro de 1949. 
Começou os estudos em Lamego e continuou os mesmos em Coimbra, onde ingressou na Escola de Guerra, seguindo a arma de Cavalaria, onde a dado momento optou pela aviação.
Foi para Inglaterra, com Óscar Monteiro Torres e António de Sousa Maya. 
Como alferes participou numa esquadrilha de observação inglesa e, depois disso, num grupo de caças francês, tendo feito mais de 80 horas de voo sobre as linhas inimigas. Em 1917 era já tenente e foi promovido por distinção a capitão , por feitos em campanha. Participou em 22 combates e obteve três retumbantes vitórias, a ponto de ser três vezes citado na Ordem do Exército francês e na do Grupo de Caças 21, onde prestava serviço. 
Foi quem fez o primeiro "raid" aéreo de Paris a Lisboa. 
Quando regressou a Portugal, tomou parte activa na política, tendo sido várias vezes deputado e após a revolução de 19 de Outubro assumiu o cargo de Governador Civil de Lisboa. Começou por apoiar o partido evolucionista e, posteriormente, passou se para o liberal, ao lado de António José de Almeida e de António Granjo. Era um republicano fervoroso e por isso se bateu fortemente contra os monárquicos, em Santarém, e contra os arruaceiros de Lisboa.
Como interveniente na Guerra de 1914 defendeu na imprensa da época as causas da revolução e escreveu, sob o pseudónimo, o livro "1918" que assinou como Heliófilo. 
Em 1922 voltou a França e tirou o curso do Estado-Maior na Escola de Guerra, de Paris, tendo sido condiscípulo e amigo íntimo de De Gaulle. 
Exerceu as funções de adido militar em França, durante oito anos e em 1937 aquando das manobras do Alentejo, comandou a Aeronáutica do Corpo do Exército. 
Em 21 de Julho de1937 foi promovido a Tenente-Coronel e, no ano seguinte, passou à reforma.
Além de aviador distinto era também um crítico e analista das questões militares, onde sobre estas escreveu, regularmente nos jornais "O Século" e "A Voz". Fundou o semanário "O Sol", onde juntamente com seu irmão, o Dr. Raúl Lello Portela, estudava os grandes problemas militares. 
Foi condecorado com a Cruz de Guerra de 1ª Classe, Cruz de Guerra Francesa com três palmas, Legião de Honra, Medalha de Bons Serviços em Campanha.
Informação retirada do I Volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses da Editora Cidade Berço

Colaboração de Madiba P. Moreira 



Madiba P. Moreira

quarta-feira, 31 de maio de 2017

A ORIGEM DOS HOSPITAIS

                    
Como nasceram essas grandes metrópoles da dôr a que se chamam hospitais?
Pode dizer-se que os povos mais antigos lhes esboçaram a estrutura.
Na antiga Grécia, os Asclépion, templos do deus curador (Esculápio), serviam já para a recolha temporária de doentes.
À chegada ao templo, o doente começava o seu tratamento por um sacrifício de voto e um banho purificador. Depois fazia a cama no abaton ou no terraço a céu aberto e aí se prolongava, por vezes o seu internamento.
É de opinião generalizada e segundo as tradições orientais e as primeiras instituições bizantinas, que terá sido em redor de conventos que se estabeleceram os primeiros hospitais.Com efeito ninguém naquela época de lutas sangrentas teria a serenidade suficiente para realizar obra de assistência aos doentes e feridos; ninguém, salvo as ordens religiosas, possuía a garantia de que o respeito necessário e imposto aos homens de todas as facções originasse a possibilidade de manter em paz os doentes e assim proceder tranquilamente a cura.
A religião cobria com o seu manto venerado, a obra de misericórdia, e assim surgiram os asilos seguros, onde podiam repousar e convalescer os corpos combalidos e martirizados pelas guerras e pelas pestes, e encontrar aí o tratamento afectuoso que tanto precisavam.
Era natural que aqueles homens, a quem a visão das misérias humanas e das lutas fratricidas e a fé pura e profunda haviam impelido a abraçar as regras monásticas feitas de sacrifícios e renúncia, fossem os primeiros a contactar com os mais desfavorecidos, com os empestados e leprosos e a socorrer os feridos.
É assim que, no princípio das nações do Ocidente, se vê aparecer, a par dos estudos teológicos dos monges estudiosos, pequenos hospitais anexos aos conventos, o tesouro da antiga sabedoria, curando com a humildade, devoção, e carinho.
E tão insólito parecia, naqueles escuros e duros dias de violência e ignorância a obra generosa dos que apenas com o voto cristão, deixavam balizada a sua fé - ou até quem sabe o seu arrependimento de antigas faltas, construindo e mantendo, a sua custas, tais monumentos de caridade que ficou para sempre a eles apegada.
Assim sucedeu o primeiro hospital inglês, o de Bartolomeu o Grande, de Londres, fundado em 1123 pelo cavaleiro Rahere, no regresso dos combates da Cruzada e que ali se encontra sepultado, no silencio do seu mosteiro, hoje deserto, sob solene estátua.
Conta a lenda que, no ano de 293 A.C eclodiu em Roma uma grande epidemia, e foi enviada uma missão romana a pedir auxilio ao único local onde se podiam obter médicos competentes escola grega de Epidauro. A missão regressou, trazendo a bordo uma das serpentes sagradas usadas no Asclepeion grego; e mal o navio enfiou pelo Tibre acima, aquele emblema grego das artes de curar, rastejou silenciosamente pela borda fora, nadou para terra e aportou a ilha de S.Bartolomeu. A partir daquele momento, a peste abrandou e, no local onde a serpente tocou terra, foi mais tarde construído um hospital. Deste hospital veio, muitos anos depois, certo frade de nome Raheire, que viria a fundar em Londres o Hospital de S.Bartolomeu.E ainda hoje os turistas ali ouvem em silêncio e com atenção, a história contada pelos guias turísticos, atribuindo ao monge e guerreiro tal santidade que, por duas vezes no decurso dos séculos, num terrível incêndio e na destruição feroz de uma batalha aérea da ultima guerra mundial, que só aquele reduto, sem outra defesa além de vontade de Deus, ali ficou de pé.

Tipo de estabelecimentos assistenciais existentes em Portugal no Séc. XV
 Natureza e população-alvo

Albergarias 
Criadas originalmente para assistência aos peregrinos e demais viajantes, mas servindo também de albergue para doentes e mendigos, eram sustentadas sobretudo pelas ordens religiosas e militares, sendo algumas dotadas de pequenas enfermarias;

Desenvolveram-se com as peregrinações a Santiago de Compostela; muitas delas limitavam-se a oferecer uma simples refeição e uma enxerga aos viandantes;

Nalgumas terras, eram conhecidas como a "casa dos passantes".

Equivaliam às xenodochia dos bizantinos.
Hospitais (ou Espritais) 
"Feitos e ordenados principalmente para a cura e gasalhado dos pobres e enfermos";
No Séc. XII, o seu número era inferior ao das albergarias;
Equivaliam às nosocomia existentes em Bizâncio.

Gafarias     
Destinadas ao internamento dos gafos ou leprosos, são também designadas por leprosarias (e, mais tarde, lazaretos, termo que deriva do facto de a lepra ser então igualmente conhecida como o mal de S. Lázaro);
Já existiam no Império Romano do Oriente sob a designação de lobotrophia.
Mercearias  
Destinadas originalmente às pessoas da nobreza empobrecida ou envergonhada; em geral, funcionavam junto a capelas;
Em Bizâncio havia as gerontochia (estabelecimentos geriátricos), distintas dos simples hospícios, destinados aos pobres (ptochia).

 2. Hospícios
Pelo menos até 1498, ano da fundação da Misericórdia de Lisboa, não aparecem referências muito explícitas em relação à existência de estabelecimentos especificamente vocacionados para a assistência a prestar às crianças órfãs ou abandonadas (orphanotrophia e brephotrophia, entre os bizantinos, respectivamente).

Em todo o caso, há notícia em 1458 da fundação de um dos mais antigos recolhimentos de crianças, órfãos e enjeitados, o Hospital dos Meninos de Lisboa, por iniciativa da rainha D. Beatriz, primeira mulher do D. Afonso V cujo reinado vai de 1448 a 1481. Outra rainha, Santa Isabel, mulher de D. Dinis, havia já fundado em 1321 o Hospital de Meninos de Santarém.

Tradicionalmente, havia a roda onde as crianças enjeitadas eram abandonadas (daí o termo expostos). Primeiro, abandonadas nas igrejas e nos conventos, passaram, em Lisboa, a ficar a cargo do Hospital Real de Todos os Santos (HRTS), desde a sua criação até 1543, pelo menos.

Nesse ano, e por carta régia de 14 de Março, é recomendado à confraria da misericórdia de Lisboa que passasse a assumir explicitamente essa função. Mas em 1584 ainda existia (e continuaria a existir até ao terramoto de 1755) o criandário, ou hospício de crianças enjeitadas, distinto da albergaria ou casa dos pedintes andantes, ambos anexos ao Hospital

O número de meninos desamparados tenderá, entretanto, a aumentar com os Descobrimentos e o afluxo a Lisboa de "muitas e desvairadas gentes" bem como em consequência dos terríveis ciclos de crises cerealíferas, fomes e epidemias que devastam o país, nomeadamente desde de meados do Séc. XIV.

O problema das crianças abandonadas ter-se-á agravado no Século XVIII, a tal ponto que a Real Casa dos Expostos (sita, desde 1768, na antiga Casa Professa de São Roque, confiscada aos jesuítas) deixou de ter capacidade de resposta. A mesa da misericórdia de Lisboa ver-se-á assim obrigada a criar mais rodas nos arrabaldes da cidade (Ribeiro, 1902; Robalo, 1987).

Com o Antigo Regime — que vai grosso modo de 1620 a 1807 — , e na sequência das ideias filantrópicas do iluminismo bem como do imperativo de um maior controlo da déviance social, surgirão entretanto outras instituições como os orfanatos e os reformatórios de que a Casa Pia de Lisboa, fundada em 1780 pelo intendente Pina Manique, é talvez o exemplo mais paradigmático. Originalmente vocacionada para recolher mendigos, dedicar-se-á posteriormente ao acolhimento, educação e reinserção de jovens pobres ou sem família.

A Casa da Roda será formalmente instituída pela rainha D. Maria I, em 1783, em diversas vilas e cidades do reino com o intuito explícito de prevenir os infanticídios que na época eram uma prática frequente.

Novo tipo de instituição, o reformatório não será apenas um produto do "filantropismo iluminista" (Miguel, 1981). É também porventura — e salvo as devidas proporções e o contexto histórico — a versão portuguesa da workhouse inglesa e do hôpital génerale francês, criados no Séc. XVII para controlar as populações perigosas e recuperá-las como mão-de-obra disciplinada para as primeiras manufacturas que se sucedem à lenta desagregação do regime das corporações e que constituirão um passo fundamental no processo de desenvolvimento do capitalismo na Europa ocidental.

Quanto ao asilo, sucedâneo do hospício medieval, é sobretudo uma criação do Século XIX (tal como o manicómio, o sanatório e a maternidade), e a ele está indissociavelmente ligado o nome da rainha D. Maria I, de cognome a pia (1819-1853) que, por decreto de 6 de Julho de 1835, cria o Conselho Geral de Beneficência. A esta iniciativa seguir-se-ão uma série de medidas relativas à mendicidade, incluindo a criação de albergues nocturnos (Neto, 1981).
O manicómio é igualmente uma criação do liberalismo, na sequência das ideias progressistas da revolução francesa e da discriminalização da doença mental.
Tal como noutros países da Europa, e na esteira de homens como Ph. Pinel, surgem com o triunfo das ideias liberais as primeiras denúncias da condição infra-humana em que viviam os doentes mentais em Portugal ("doidos, lunáticos, alienados", como eram então rotulados).
De entre os médicos destaca-se, entre outros, o nome de C. Bizarro (1805-1860) que, desde 1835, vinha denunciando a cruel situação em que vivem os doentes, nomeadamente do sexo feminino, na Enfermaria de S. João de Deus do Hospital de S.José:
"Doidas nuas e desgrenhadas, entregues a todos os seus desvarios, gritando e gesticulando, encerradas às vezes num cubículo escuro e infecto onde mal podem obter um feixe de palha em que possam revolver-se; um local de todo apertadíssimo, com escassa luz, imprópria ventilação, e nele jazendo perto de 150 infelizes alienados com o diminuto número de três empregadas, que tantas são as destinadas ao seus serviço" (citado por Costa, 1986).
Só em  1848 (!) é que será criado, entre nós, o  primeiro "estabelecimento especializado" no internamento de doentes mentais: O manicómio de Rilhafolhes, em Lisboa.

Esta iniciativa pode concretizar-se graças ao legado de um benemérito. Entretanto, alguns anos depois, Rilhafolhes albergava já mais de meio milhar de doentes. Mais tarde, será seu director o médico Miguel Bombarda (1851-1910), o qual além de ampliar e modernizar o estabelecimento, lutou vigorosamente contra os métodos repressivos então em uso (v.g., o "babeiro de cola", a "coleira", o "berço-prisão", o "colete de forças"). Em 1948, o estabelecimento passou a chamar-se Hospital Psiquiátrico Miguel Bombarda.

Albergarias
Quanto às albergarias (tal como as gafarias), sabe-se que a sua existência é anterior à própria fundação da nacionalidade. Tenderão entretanto a desaparecer entre nós, embora mais lentamente do que no resto da Europa, a partir do fim da Idade Média, com o progressivo declínio das peregrinações (e, no caso das gafarias, com a irreversível regressão da lepra).

Grande parte das albergarias situavam-se junto a mosteiros e igrejas, povoações e estradas mais importantes, nomeadamente ao longo do caminho de Santiago, e em particular a norte do Mondego.

Às primeiras rainhas atribui-se igualmente a fundação de diversas albergarias, como, por exemplo, aquela que terá dado origem ao toponónimo Albergaria-a-Velha, criada em 1120 por Dona Teresa, mãe do primeiro rei de Portugal. Ou a de Chaves, mandada construir por D. Mafalda.
Os primeiros reis de Portugal também se preocuparam com a manutenção e a extensão da rede de albergarias — caso de D. Sancho I que no seu testamento de 1209 deixa legados, em dinheiro, a diversos estabelecimentos do género existentes no centro e norte do país.
Como diz o historiador Veríssimo Serrão (1990, vol. I. 221), "falta um mapa global para reconstituir esses marcos de cobertura viática, mas para certas ordens há elementos precisos. Assim, no que respeita aos mosteiros beneditinos que ficavam a norte do Mondego, possuíam albergues: uns, da invocação de Claraval, como Maceira Dão, Lamego, Sever e Tarouca; e outros, ligados à regra de Cister, como Moimenta, Tabosa, Arouca e Bouças".

Correia (1938) situa as principais albergarias sobretudo ao longo das antigas estradas romanas, tal como de resto uma boa parte dos outros estabelecimentos de beneficência. Na mesma localidade, podiam coexistir, aliás, diferentes tipos de estabelecimentos: Albergarias, Mercearias, Gafarias, Hospitais e Hospícios, para além dos Conventos. De qualquer modo, a sua concentração é sobretudo ao longo da rede viária romana ou de outras vias de comunicação utilizadas pelos peregrinos que, de França, Espanha e Portugal, demandavam Santiago de Compostela. Essa concentração era mais evidente em troços como:

Vila Real de Santo António/Mértola/Beja/Alcácer do Sal/Setúbal
 Beja/Évora/Estremoz/Arronches/Badajoz
 Lisboa/Santarém/Coimbra/Porto
 Porto/Braga/Santiago de Compostela
 Alcântara (Espanha)/Idanha-A-Nova/Guarda/Penafiel/Braga/Santiago

As peregrinações a Santiago de Compostela tiveram o seu auge nos Séculos XI e XII. Outras albergarias, a sul do Mondego e sobretudo do Tejo, como as de Lisboa, Setúbal, Alvito, Évora, Estremoz, Vila Viçosa, Portalegre, etc. estarão porventura mais ligadas à Reconquista e ao movimento dos cruzados.

Na época em que se iniciou a construção do Hospital Real de Todos os Santos (1492) existiam em Lisboa pelo menos treze albergarias, além de quatro gafarias e quarenta e três pequenos hospitais. Em todo o reino, existiriam 37 albergarias, 32 hospitais, 66 gafarias e 16 mercearias (Correia, 1938. 7).

Hospital de São João ( Porto)
Com o declínio das peregrinações, as primitivas albergarias tenderão a converter-se em (e a chamar-se) espritais ou hospitais  ou simultaneamente albergarias e hospitais (caso do Porto) para acolhimento de enfermos pobres (Basto, 1934).
Hospital Santa Maria (Lisboa)




                 














Por: Aníbal de Oliveira


quinta-feira, 18 de maio de 2017

MINAS DE ALJUSTREL “VIPASCA”



Há 350 milhões de anos, a atividade vulcânica submarina que ocorreu na faixa piritosa ibérica (desde Aljustrel até Sevilha) deu origem a importantes jazigos de sulfuretos maciços polimetálicos associados aos flancos de cones vulcânicos, na forma de pirites, calcopirites, blendas, galenas e cassiterites.

A ocupação humana deste local data de há 5.000 anos, durante a Idade do Cobre, conforme está comprovado pelos materiais arqueológicos recolhidos no Castelo. Posteriormente, as minas foram aproveitadas por fenícios e cartagineses contudo, é durante o período romano que a sua ocupação sofreu um grande incremento, com o aproveitamento em larga escala dos seus recursos mineiros, donde era estraído além do cobre, a prata e o ouro.
Esse período compreendeu a transição do séc. I ao III d.C., sob o domínio do Imperador Adriano, em que a actividade mineira se intensifica, conforme testemunham as centenas de milhares de toneladas de escórias antigas amontoadas nas proximidades da mina de Algares, assim como a diversidade de achados arqueológicos e os numerosos poços.
Sabe-se que se deram explorações com intensidade nas minas de Aljustrel (Vipasca), São Domingos e Riotinto, associadas aos chapéus de ferro ou gossans, zonas superficiais mais oxidadas das massas de sulfuretos.
Seria nesses escoriais romanos que foram descobertas, respectivamente, em 1876 e 1906, duas tábulas de bronze, que representam os mais completos documentos escritos da administração mineira romana até hoje encontrados. Estas importantes descobertas projectaram o nome de Aljustrel no seio da comunidade científica internacional, tendo ambas sido objecto de apurados estudos pelos maiores especialistas nacionais e estrangeiros, nomeadamente os portugueses Estácio da Veiga e Augusto Seromenho e posteriormente o francês Claude Domergue.



A região mineira que se regia por estas leis era conhecida por Metallum Vipascencis, e o povoado existente na sua proximidade era denominado Vipasca. Os romanos exploraram-nas, durante vários séculos, sobretudo pelo cobre e prata que apareciam com teores elevados nos minérios do chapéu de ferro (afloramento do jazigo à superfície) dos jazigos de Algares e de S. João do Deserto.
Depois dos romanos, os árabes também aproveitaram estes recursos mineiros, mas numa escala mais reduzida. Posteriormente, só no séc. XVI, no reinado de D. Manuel I, as minas de Aljustrel voltam a ser referidas, tendo depois caído no esquecimento por vários séculos.

TÁBULAS DE BRONZE

As notáveis tábuas de bronze das minas de Aljustrel, descobertas nas antigas escombreiras romanas da mina, contêm legislação mineira vigente naquela exploração, estipulando as obrigações a que tanto pessoas individuais, como os estabelecimentos ali existentes, eram obrigados.
Em 1876 é descoberta a 1.ª Tábua de Bronze com a parte da legislação mineira romana. Este achado, que foi estudado pelos mais conceituosos investigadores nacionais e estrangeiros, referia a existência do couto mineiro Mettalum Vipascencis.  
Posteriormente, em 1906 foi encontrada uma 2.ª Tábua de Bronze que veio complementar alguma informação legislativa, no entanto, a legislação continua incompleta uma vez que falta uma 3.ª Tábua. (…)
As placas de bronze contêm inscrição jurídica em latim. O texto é composto por 46 linhas gravadas em letra latina, representando um trecho de um código de minas que abrangia pelo menos três placas. A placa apresenta cinco furos para fixação e encontra-se parcialmente dobrada. O texto está redigido formalmente sob
a forma de carta endereçada a Úpio Eliano, o procurador do distrito mineiro de Vipasca. 



1ª. TÁBUA DE BRONZE (Vipasca I)Regulamentava: Como se fazia o leilão dos diversos ofícios postos a concurso e a que regras devia obedecer o respectivo pregoeiro; as condições de utilização do balneário público; as normas do exercício de profissões como a do sapateiro, do barbeiro, do pisoeiro, dos negociantes de escórias e de pedra, do mestre-escola…
2ª. TÁBUA DE BRONZE (Vipasca II) Regulamentava: Parte de um regulamento técnico, em que as normas de segurança, por um lado, e as cláusulas de índole fiscal, por outro, se revestem de grande modernidade e demonstram a preocupação do legislador em tudo convenientemente salvaguardar as pessoas e…os bens! – porque, daí advinham receitas para o fisco…
Estas Tábuas encontram-se expostas no Museu Geológico em Lisboa, na Sala de Arqueologia.

A MINERAÇÃO DE ALJUSTREL

A mineração em Aljustrel constitui parte integrante e fundamental da história da freguesia e do próprio concelho. Situadas na faixa piritosa ibérica, estende-se desde a Serra da Caveira (Grândola) até às proximidades de Huelva (Sul de Espanha). Tem cerca de 250 Km de comprimento e 30 a 50 Km de largura. As minas de Aljustrel e de S. Domingos, constituíam, nos finais do séc. XIX e princípios do séc. XX, os principais complexos mineiros de Portugal.
A extracção de enxofre foi muito importante até aos finais da década de 50 do século XX devido à aplicação na indústria química (fabrico de ácido sulfúrico).
A viabilidade económica das minas da Faixa Piritosa depende atualmente da extração de cobre, zinco, chumbo e, nalguns casos, de metais preciosos como o ouro e a prata.


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sexta-feira, 5 de maio de 2017

VILA ROMANA DE PISÕES


Na estrada que liga Beja a Aljustrel, a cerca de 10 Km, na Herdade da Almagrassa, e bem próximo da aldeia de Penedo Gordo, encontramos um verdadeiro tesouro da época romana deixado em terras portuguesas. A Villa Romana de Pisões, assim chamada por se encontrar delimitada pelo barranco de Pisões, foi acidentalmente descoberta em 1967, tendo as investigações arqueológicas revelado tratar-se de uma importante exploração agrícola da época da ocupação romana que abastecia a região.
A Villa ocupa uma área de cerca de 30 mil metros quadrados numa zona plana, estendendo-se ligeiramente por uma suave encosta próxima de uma barragem que mantinha as termas e a piscina de outrora. Destaque para os bem conservados e coloridos mosaicos que representam cenas naturalistas ou composições geométricas, mono ou policromados, e que decoram o pavimento das mais importantes divisões da área residencial.  
As escavações arqueológicas e estudos efectuados nestas ruínas, confirmam que a villa terá sido ocupada entre os séculos I e IV d.C. A área residencial dos proprietários é o património que, até agora, maiores estudos sofreram. Seria uma habitação com mais de quarenta divisões com compartimentos essencialmente caracterizados pela sua riqueza decorativa. Estas divisões encontravam-se dispostas em torno de um pátio central descoberto, denominado peristilo. A fachada, que seria porticada, estaria virada a Sul, abrindo sobre um grande tanque ainda hoje bem conservado.

Tanques, piscina e termas de apreciáveis dimensões, existiriam igualmente nesta propriedade, em aproveitamento da proximidade da barragem de Pisões, constituindo mesmo, o edifício termal, um dos mais relevantes exemplares de termas privadas romanas encontrados em território português.
Todo o conjunto de mosaicos existentes nas ruínas romanas de Pisões é verdadeiramente assinalável, com peças de grande qualidade, composições geométricas e naturalistas, desde mosaicos monocromáticos até aos policromados.
Constituem a sua maior riqueza plástica, podendo admirar-se uma apreciável diversidade de painéis de diferentes períodos da história romana, destacando-se vários estilos decorativos e iconográficos. Um verdadeiro tesouro em terras lusas.
Dignos de destaque são, igualmente, o edifício termal, com a sua planta bem definida e o hipocausto (arcada para aquecimento) muito bem conservado, e o paredão de uma barragem romana, abastecida pelas águas da ribeira da Chaminé, situado a cerca de duzentos metros da villa, a qual teria como função constituir-se como uma reserva de água para o abastecimento da exploração agrícola e para a vida doméstica. 
Esta barragem foi construída em alvenaria de pedra e argamassa e possuía uma albufeira com cerca de 340 metros de comprimento, 31.300 metros quadrados de área inundada, armazenando um volume de água de 38.000 metros cúbicos.

Na época, davam-se as culturas da vinha, oliveira, produção de cereais e de gado, tal como ainda hoje, que abasteciam os mercados de Pax Julia (Beja), ou de outras cidades do Alentejo e Algarve, bem como do exército e de coutos mineiros, como Vipasca (Aljustrel) e Mina de S. Domingos.
A fachada principal da casa abria para um grande tanque exterior, para além do qual se situam também vestígios de mausoléus familiares, tendo sido, até ao momento, escavados três.
É possível observar-se a riqueza do proprietário e o gosto da época quer no revestimento dos pavimentos, com mosaicos e mármores, quer no das paredes, com pintura mural, da qual ainda se conservam alguns vestígios.
Nas escavações foram também recuperados alguns elementos que apontam para uma continuidade até à ocupação da Península Ibérica pelos muçulmanos.
Ao contrário do que acontece na maioria dos sítios romanos, onde não existem dados concretos sobre os seus habitantes, em Pisões foi encontrado um pequeno altar em mármore devotado a Salus, a deusa da felicidade e da saúde. Aí, encontra-se uma inscrição que revela que o altar foi dedicado pelo escravo Catulo, a Gaio Atílio Cordo.Assim, é possível que este nome corresponda àquele que era o proprietário da villa em determinado momento do século I d.C., sendo Catulo um dos seus escravos.
O mais conhecido monumento epigráfico de Pisões é uma árula votiva, dedicada à deusa Salus, com uma referência a Gaio Atílio Cordo que terá sido com grande probabilidade, proprietário da villa.
              Base de Prensa
No caminho de acesso à villa, próximo da barragem romana, ainda hoje é possível observar-se os vestígios dos pisões que terão dado o nome a este sítio arqueológico. Apesar de não se conhecer a cronologia deste engenho, é certo que muitos pisões só deixaram de estar em funcionamento ao longo da primeira metade do século XX.

Os balneários, com as diversas zonas diferenciadas consoante a temperatura (caldarium, tepidarium e frigidarium), são de arquitectura complexa e muito cuidada: salas cujo pavimento era feito sobre arcos e colunas (para terem aquecimento inferior), paredes duplas de tijolo (para aquecimento lateral pela passagem constante de ar quente), piscinas para banhos frios e para banhos quentes, e canalização principalmente de chumbo.

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quinta-feira, 20 de abril de 2017

VILA ROMANA DE CUCUFATE


As ruínas romanas de Cucufate situam-se em Vila de Frades, no concelho da Vidigueira, no Baixo Alentejo. Estão datadas do século I d. C. e são consideradas como um centro de exploração agrícola.
Antes da romanização, alguns materiais encontrados nas escavações arqueológicas demonstram que este local foi anteriormente habitado por povos do Neolítico Final, entre os últimos séculos do quarto milénio e os primeiros séculos do terceiro milénio a. C., num contínuo aproveitamento da riqueza destes solos e da abundância de água. 
É durante a época romana que o local irá conhecer uma duradoura e marcante ocupação. Aí se instalou uma villa, isto é, uma exploração agrícola de grande dimensão, integrando a residência do proprietário, habitações para os seus criados e escravos, armazéns, celeiros, adegas e lagares, termas, jardim e um templo.
O proprietário residia nesta villa pelo menos durante parte do ano, e aqui, organizavam-se os trabalhos necessários à produção, armazenamento e transformação dos produtos da terra que lhe pertenciam.
A residência senhorial desta primeira instalação foi-se, progressivamente monumentalizando, tendo passado por duas grandes campanhas de obras. No século II é feita uma outra edificação, e em meados do século IV, acedeu-se a nova reestruturação que denuncia uma ruptura com o modelo arquitectónico seguido no decurso dos séculos anteriores. A tradicional casa romana, fechada sobre si mesma e centrada sobre um ou mais pátios interiores (“casa de peristilo”), substitui-se, então, por uma arquitectura de ostentação, aberta ao exterior, de desenvolvimento linear, em que as fachadas são valorizadas pela multiplicação dos vãos como elemento de ligação entre os espaços interiores e o exterior. São desta última fase os vestígios que, ainda hoje, testemunham a grandiosidade e opulência de uma época que se aproximava do seu fim. 
Próximo do local e na entrada na villa, na sua frente, surge um templo dedicado a divindades não identificadas, o Oratório, com características semelhantes às do templo das ruínas romanas de Milreu, em Estói, perto de Faro. Oratório, edificado em finais do século IV, já convertido ao culto cristão. Desconhece-se a divindade consagrada, mas sabe-se que os romanos inicialmente preferiram uma religião politeísta, e acabaram por aderir gradualmente ao cristianismo.
Esta Villa romana com planta em “U” aberto é constituída por dois pisos, sendo o piso superior a zona residencial. Integra-se no tipo das villa  céltico-romanas, comum nas Gálias, Germânia e Britânia. A villa romana supera em dimensões todas as Vilas romanas de Portugal. Os paralelos mais próximos são as Vilas romanas de Milreu, Pisões e do Rabaçal .

O fim do Império Romano, nos inícios do século V, não ditou, porém, o abandono definitivo deste sítio. Na parte térrea do edifício e, em data incerta nos inícios da  Idade Média, (talvez ainda na era visigótica), instalou-se um mosteiro consagrado a S. Cucufate.  A partir do século XIII, serão os frades Agostinhos de São Vicente de Fora a ocupar o local, e posteriormente, serviu de Convento à Ordem Militar de Santiago sendo abandonado no séc. XVI.
Com algumas descontinuidades, transformações e adaptações, a ocupação deste mesmo espaço prolongou-se até aos finais do século XVIII, tendo-se utilizado parte da casa romana como igreja, decorada em sucessivas épocas com pinturas murais.
Foi esse aproveitamento da habitação romana durante os séculos posteriores que, permitindo a sua manutenção e conservação parcial até aos nossos dias, faz de S. Cucufate um caso ímpar no conjunto dos sítios arqueológicos romanos de Portugal. 



 S. Cucufate, mártir cristão executado em 304 d.C. na actual Catalunha

Nascido em Scillium (província romana de Cartago) por volta de 270, pregou o cristianismo na Catalunha (onde é conhecido como Sant Cugat) na companhia de São Félix. Entre outras, esteve na cidade de Ampúrias, (perto de Gerona), até que o império romano o condenou à morte.
A lenda diz que primeiro lhe abriram o ventre e o evisceraram, mas que ele meteu de novo as vísceras dentro do abdómen que coseu com uma corda. Mais tarde, o imperador Galério condenou-o à fogueira, mas supostamente o sopro de Deus apagou as chamas. Depois, foi encerrado numa masmorra, mas os carcereiros converteram-se ao Cristianismo. Finalmente, a lenda diz que Deus permitiu a Cucufate - cujo desejo era aceder ao Paraíso pela via do martírio - que o degolassem.
Em seu nome foi chamada a localidade de Sant Cugat del Vallès (na província de Barcelona, Catalunha), onde se crê que foi executado, e o Mosteiro de São Cucufate na mesma localidade.
Seria já oriundo duma família nobre cristã. Contudo, o Cristianismo ainda não era tolerado pelo Império Romano. Só o será oficialmente a partir de 313 d. C. pelo Édito de Milão promulgado pelos Imperadores Constantino I e Licínio.
São Cucufate teria iniciado os seus estudos no campo das letras em Cesariense, cidade-região da Mauritânia, e aí terá supostamente encontrado o seu fiel companheiro - São Félix. Contudo,  São Cucufate teve, desde cedo, que enfrentar um período de ferozes perseguições aos cristãos. Diocleciano e Galério defendiam acerrimamente o culto pagão e, por isso, não estavam dispostos a aceitar a doutrina de Jesus Cristo. Por isso, é crível que a sua ida para a Península Ibérica tenha sido motivada por perseguições realizadas em África. Também São Félix o teria acompanhado alegadamente nesta nova aventura.
Mesmo assim, o ambiente de repressão não terá esfriado o espírito de devoção de São Cucufate e de, seu companheiro, São Félix (também com origens africanas) que pregaram o Cristianismo na Catalunha. De imediato, os dois pregadores esquecem as suas origens ricas e distribuem os seus bens pelos mais necessitados. Aceitam o seu novo estado de pobreza e humildade. Entram em casas particulares, professando a fé cristã e deixando de temer a morte. O seu impacto começa a ser registado. Contudo, as perseguições seriam também reatadas em Barcelona. Neste âmbito, foi detido e presente a um primeiro julgamento diante do Prefeito/Pro-Cônsul Galério, sendo um dos excertos desse episódio narrado nos volumes da España Sagrada:
Galério - Diz-me, louquíssimo rebelde, em que confias para atrever-te a desapreciar os mandatos dos Imperadores e negar o culto aos Supremos Deuses?
São Cucufate - A quem, ó muito idiota, mandais que se dê culto, sendo não deuses, mas sim invenções feitas por parte do engano diabólico e necessidades de outros semelhantes a ti?
Resposta esta que não agradou mesmo nada a Galério que ordenou a sua imediata tortura. Mas São Cucufate não pereceria, pois resistiu aos tormentos a que fora sujeito.
De acordo com as escrituras da España Sagrada, seria depois a vez de Maximiano, também Prefeito Romano ou Governador Local, interrogar São Cucufate. Mais uma vez, a discussão foi assim narrada pela fonte já citada:
Maximiano - A que Deus veneras?
São Cucufate - Como perguntas com esse modo duvidoso, como se houvesse muitos deuses. Não há mais do que um, a quem eu venero, que fez o Céu e a Terra.
Maximiano - Pois se esse é o verdadeiro deus, vamos ver se ele te livra dos tormentos.
São Cucufate - De ti, ó execrável e de teu pai, o Diabo, com todos os teus tormentos eu me rio pela virtude de Deus, pois verdadeiramente és muito demente e miserável, por
teres deixado a Deus e adorares caixa de demónios.  
Maximiano também não apreciou as respostas deste santo e ordenou novas torturas. Reza a lenda de que quando iria ser queimado vivo, o fogo apagou-se com o vento que se fazia sentir e tal foi encarado por muitos cristãos, como um sinal de Deus. De regresso à cela, São Cucufate teria convertido os guardas que estariam a vigiá-lo. Por isso, os grandes responsáveis pela perseguição ao Cristianismo tinham razões para invejar e odiar os feitos deste jovem que afinal teria uma idade a rondar apenas os 20 a 30 anos.
Todavia, a existência heroica de São Cucufate e São Félix teria uma data marcada para o seu fim. Daciano, o novo governador local, chega a Barcelona em Julho de 304 d. C. e impõe inúmeras perseguições (talvez seguindo as ordens imperiais), o que por seu turno, originou diversas execuções. São Cucufate que se destacava, não escapou à crueldade do novo governador e do seu oficial Rufino. Desta vez, eles queriam assegurar a sua morte imediata, já que a tortura não estava a assegurar quaisquer resultados.
De acordo com a Enciclopédia - España Sagrada, o nosso santo foi degolado junto ao Castro Octaviano, talvez localizado a oito milhas (12 km) de distância da cidade de Barcelona, ainda nesse mês de Julho de 304 d. C. Logo após a tolerância oficial de culto datada de 313 d. C., vários foram os crentes que se concentraram no local do seu martírio, prestando uma tremenda devoção. No início do século IX, é mesmo fundado o Mosteiro de Sant Cugat (assim é designado em catalão, o nosso São Cucufate) que ainda hoje pode ser visitado em Barcelona.
O seu fiel amigo São Félix seria executado dias mais tarde em Gerona, mas não seriam os únicos mártires canonizados a serem sacrificados pelo impiedoso Daciano.
Em Vila de Frades, o culto à personalidade de São Cucufate iniciou-se na Idade Média com a existência dum mosteiro beneditino, embora construído em data desconhecida (já no período visigótico), e ainda hoje, constitui um dos oragos da Freguesia. Existem mesmo pinturas murais/frescos em sua memória nalguns edifícios religiosos desta vila alentejana. O dia 25 de Julho, é o Dia de Cucufate, celebrado em Vila de Frades, ainda hoje. 





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