quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

ÉVORA / BEJA

ÉVORALIBERALITAS JULIA EBORA

Cão com barrete árabe – Catedral de Évora

BEJAPAX AUGUSTA 


Lenda de Beja

 Conta a lenda que quando a cidade de Beja era uma pequena localidade de cabanas rodeada de um compacto matagal, uma serpente assassina era o maior problema da população. A solução para este dilema passou por assassinar a serpente, feito alcançado deixando um touro envenenado na floresta onde habitava a serpente. É devido a esta lenda que existe um touro representado no brasão da cidade.

Núcleo Museológico na Rua de Sembrano

A escavação da Rua do Sembrano pôs a descoberto vestígios que se estendem, cronologicamente, desde a Pré-História até à Época Contemporânea. Os mais antigos apontam para a Idade do Cobre ou Período Calcolítico, no 3º. Milénio a.C. É porém, da Idade do Ferro, na segunda metade do 1º. Milénio a.C., o conjunto mais importante de elementos recuperados. Do período da Idade do Ferro, foi identificado um troço de uma robusta muralha de construção em pedra com argila, que delimitava o perímetro do povoado antigo, e no seu interior, dois compartimentos definidos por muros, com pavimentos de argila e caliço moídos e com pequenas estruturas de sustentação associadas (buracos de postes), que corresponderão a parte da zona habitacional.
Designada Pax Julia por Ptolomeu, Pax Augusta por Estrabão e colónia pacensis por Plínio, Beja, na Época Romana, uma cidade importante, sendo capital de um dos três conventos juridicus – circunscrição territorial jurídico-administrativa – existentes no actual território português. A Beja romana estende-se no tempo desde o século I a.C. ao século IV d.C.

Museu Rainha D. Leonor



O lamento de Mariana Alcoforado percorre ainda hoje as paredes caiadas do convento de Clarissas de Beja onde entrou aos onze anos e onde morreu aos 83, corria o ano de 1723. Uma vida longa, preenchida pelo amor ao cavaleiro francês Noel Bouton, Marquês de Chamilly, que a freira imortalizou em cartas de uma paixão não correspondida. A janela por onde tantas vezes Mariana viu passar o seu amor é um ex-libris do que é agora O Museu Regional. 

Mariana Mendes da Costa Alcoforado ou Mariana Vaz Alcoforado, nasceu em 22 de Abril de 1640 e faleceu em 28 de Julho de 1723. Foi uma freira portuguesa do Convento de Nossa Senhora da Conceição em Beja.
É considerada a autora das cinco Lettres Portugaises (As Cartas Portuguesas) dirigidas ao Marquês Noel Bouton de Chamilly, Conde de Saint-Léger e oficial francês, que lutou em solo português sob as ordens de Frederico de Schomberg, durante a Guerra da Restauração. A sua obra Cartas Portuguesas tornou-se num famoso clássico da literatura mundial.
Era irmã de Francisco da Cunha Alcoforado e filha doutro Francisco da Cunha Alcoforado, dos Cortiços, em Macedo de Cavaleiros, Cavaleiro da Ordem de Cristo a 15 de Dezembro de 1647, e de sua mulher Leonor Mendes.
Já no testamento materno Mariana fora nomeada monja do Convento da Conceição. Sem nenhuma inclinação mística, ela estava, pois, destinada à vida religiosa, sorte idêntica à de muitos homens e moças da época, encerrados em mosteiros por mera decisão paterna.
Os amores com o Marquês de Chamilly, a quem vira pela primeira vez do terraço do convento, de onde assistia às manobras do exército, deve ter ocorrido entre 1667 e 1668. Sóror Mariana pertencia à poderosa família dos Alcoforados, e o escândalo provavelmente se alastrou. Temeroso das consequências, Chamilly saiu de Portugal, pretextando a enfermidade de um irmão. Prometera mandar buscá-la. Na sua espera, em vão, escreveu as referidas cartas, que contam uma história sempre igual: esperança no início, seguida de incerteza e, por fim, a convicção do abandono. Esses relatos emocionados fizeram vibrar a nobreza de França, habituada ao convencionalismo. Além disso, levaram, para a frívola sociedade, o gosto acre do pecado e da dor, pois, ao virem a lume, divulgaram a informação de que as compusera uma freira.
Pelas boas obras e pelos sacrifícios com o tempo se reabilitou, Sóror Mariana Alcoforado chegou à posição de abadessa do referido Convento franciscano e morreu já idosa, aos oitenta e três anos de idade. 
O Museu conserva ainda a grande janela gradeada, mais conhecida como a Janela de Mértola, das Portas de Mértola ou de Mariana, verdadeiro ex-libris do convento, do museu e da cidade, através da qual a religiosa viu tantas vezes passar aquele que a encantava e que num dia especial a destacou com o seu olhar e lhe fez sentir os primeiros efeitos da sua infeliz paixão.

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domingo, 22 de janeiro de 2017

ANTA GRANDE DO ZAMBUJEIRO


Este monumento megalítico fica a 13 Km a sudoeste de Évora, a 500 m da localidade de Valverde, e a caminho de Alcáçovas. 
A Anta Grande do Zambujeiro é um monumento funerário coletivo. No caso desta anta, existe um longo corredor que leva à câmara. Tudo era coberto pela mamoa, uma cobertura protetora da anta, normalmente de terra e pedras.Nesta Anta ainda se pode ver parte da mamoa. Os esteios de granito, fazem dela (provavelmente) a mais alta anta do mundo, e o monumento megalítico de tipo dólmen dos maiores que existem na Península Ibérica. É considerada património de interesse nacional.
Foi construída entre 4.000 e 3.500 antes de Cristo. 
Consiste numa única câmara poligonal com 6 m de altura, utilizada durante o neolítico como um local de enterro e possíveis cultos religiosos. A camara é feita de sete enormes pedras de 8 metros de altura. Originalmente eram cobertas por uma pedra com 7 metros de largura. Um corredor com 12 metros de comprimento, 1,5 metros de largura e 2 de altura conduz até a camara. A entrada estava assinalada por uma enorme estela menir decorada, actualmente tombada. Nas escavações foi recuperado importante espólio de objectos rituais, de adorno, placas de xisto, báculos, vasos de cerâmica, lâminas e pontas de setas, entre outros, que se encontram depositados no Museu de Évora. 
As mamoas apresentam geralmente uma forma oval ou circular. Eram edificadas com pedra e areia e tinham a finalidade de proteger o dólmen, cobrindo-o completamente. Eram estruturas de tamanho variável, podendo atingir quarenta metros, que tapavam completamente a câmara e o corredor, quando este existia. As couraças de revestimento das mamoas feitas de terra, que possivelmente ainda seriam visíveis na altura da construção, acabariam provavelmente por ficar mais ou menos revestidas por vegetação algum tempo depois.

O nome mamoa tem origem nos romanos aquando da sua chegada à Península Ibérica, que deram o nome de mammulas a estes monumentos, pela sua semelhança com o seio de uma mulher. Embora hoje sejam muito raras as mamoas que apresentam um volume hemisfério, devido aos agentes erosivos e às violações de que foram alvo, a sua forma seria em geral a de uma calote esférica.
Cada mamoa teria a função de esconder e proteger a sepultura, conferindo-lhe, ao mesmo tempo, maior monumentalidade. É possível que tivesse também, em certos casos, proporcionado um plano inclinado para o transporte da tampa da câmara da anta até à sua posição definitiva.
Se fossem apenas feitas com terra, as mamoas teriam sido facilmente desfeitas pela erosão. Por essa razão, a terra é escorada com pedras formando uma couraça protectora à superfície e uma espécie de suporte de contenção que rodeia a mamoa na periferia. A técnica de construção das mamoas demonstra geralmente uma hábil solução arquitectónica feita para durar, sem usar argamassa. Encontram-se pedras especialmente afeiçoadas para melhor se inserirem no espaço que preenchem e interstícios preenchidos por pequenas pedras angulosas, partidas intencionalmente, para reforçar a estrutura. 
Estas sepulturas megalíticas monumentais correspondem a relíquias de antepassados importantes. É possível que cada núcleo ou grupo de mamoas correspondesse aos antepassados míticos de uma determinada família ou linhagem, facultando-lhe uma referência para a sua identidade. 
O dólmen, escondido debaixo de uma colina artificial (a mamoa), era como um «útero» abrigado do olhar, onde se colocavam relíquias «no interior da terra». Podemos imaginar que essa deposição de relíquias funerárias seria, a nível de significação simbólica, como que um regresso de um humano ao útero do ventre materno da Terra Mãe e, a abertura, sempre com a orientação para nascente.


O hábito de usar «cairns», ou seja montes artificiais de pedras, em cima dos túmulos Neolíticos poderá ter estado também relacionado com a dissuasão dos violadores de túmulos. Na Escócia, os cairn encontram-se sobretudo sobre relevos de terreno e no alto das montanhas. E, como existe o costume de transportar uma pedra até ao alto da colina para a colocar sobre eles, estes vão ficando cada vez mais altos. Um ditado antigo escocês diz « Cuiridh mi clach air do chàrn », ou seja « Colocarei uma pedra sobre o teu cairn». É interessante que ainda hoje há uma tradição judia que recomenda que se ponham pequenas pedras em cima de um túmulo que se visite.

Planos de construção: Orientação geográfica de Oeste para Este, partindo do Cromeleque dos Almendres, passando pela Anta Grande do Zambujeiro e finalizando no Cromeleque de Xarez, em Monsaraz. Orientação pelo Equinócio de Março. Tiveram em conta as três linhas de água que convergem, subterraneamente, para a parte frontal da Anta, formando um rio com cerca de 30 m de largura. Assim, o interior da Anta (a Câmara), apresenta-se totalmente livre de qualquer influência energética nociva, permanecendo num local sereno e equilibrado vibracionalmente.

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domingo, 8 de janeiro de 2017

CROMELEQUE DOS ALMENDRES


Há aproximadamente sete a oito mil anos atrás, e durante o período Neolítico, a região da Península Ibérica assistiu à sedentarização progressiva dos seus povos. De caçadores que seguiam as migrações sazonais das suas presas, os seres humanos passaram a cultivar as suas próprias terras e a criar os seus próprios animais para pastoreio e consumo. Começaram, então, a nascer e crescer populações com raízes seguras e personalidades bem definidas, consoante os locais onde se estabeleciam e as tradições que paulatinamente iam construindo. O Cromeleque dos Almendres é um reflexo claro e de proporções gigantescas dessa era de encantamento pagão, também providencialmente conhecida por Período da Pedra Polida. Construído voltado a nascente, este recinto megalítico (mega=grande; litho=pedra) situa-se numa encosta suave bem alentejana na Herdade dos Almendres.
Constitui-se num círculo de pedras pré-histórico (cromeleque) com 95 monólitos de pedra. É o monumento megalítico do seu tipo mais importante da península Ibérica, e um dos mais importantes monumentos megalíticos do mundo, bem mais antigo do que o famoso Stonehenge, não apenas pelas suas dimensões, como também pelo seu estado de conservação. No seu apogeu, o conjunto arquitectónico do Cromeleque dos Almendres teria mais de uma centena de monólitos. Junto com o menir dos Almendres, localizado nas proximidades, a região de Évora é densamente coberta por sítios arqueológicos que vão desde o início do Neolítico (7000 a 8000 anos atrás) até a Idade do Ferro, (1.200 a.C.) abrangendo menires, antas, necrópoles e povoações pré-históricas. O cromeleque dos Almendres pertence, assim, ao universo megalítico eborense e está relacionado com outros círculos de pedras das proximidades, como o Cromeleque da Portela de Mogos, em Montemor-o-Novo.Segundo os trabalhos arqueológicos realizados no local, acredita-se que o conjunto foi formado em três etapas: 
No final do Neolítico Antigo (fim do sexto milénio a.C.) foi erigido um conjunto de monólitos de pequeno tamanho, agrupados em três círculos concêntricos. O maior destes círculos media 18,80 m e o menor, 11,40 m. Actualmente há vinte e dois menires de pé neste recinto, dois tombados e restos de estruturas de sustentação de cinco outros; 
No Neolítico Médio (quinto milénio a.C.) foi erigido a oeste dos círculos anteriores um novo recinto com a forma de duas elipses concêntricas, irregulares, adossadas ao recinto mais antigo. A elipse mais externa mede 43,60 m em seu eixo maior e 36 m no eixo menor. Durante os trabalhos arqueológicos foram encontrados ali vinte e nove menires em pé e dezassete tombados, além de estruturas de sustentação de onze menires já desaparecidos;
No Neolítico Final (terceiro milénio a.C.) os dois recintos foram modificados, especialmente o menor, que foi transformado numa espécie de átrio do recinto maior. Com a remodelação, o recinto menor possivelmente passou a orientar a entrada no recinto elíptico, com uma função nas solenidades sócio religiosas que se realizavam ali. Além disso, é possível que nesse período tenham sidoacrescentados aos dois recintos alguns monólitos com gravuras e que alguns menires tenham sido parcialmente aplainados, transformando-os em estelas.
Apesar dos monólitos terem predominantemente uma forma mais ovoide, existem bastantes megálitos, pedras de proporções maiores, com formatos fálicos. Uma destas pedras alçadas de tamanho
descomunal, intimamente ligada com o Cromeleque, embora isolada do mesmo, é o Menir dos Almendres. No Solstício de verão e quando visto do Cromeleque, o Menir dos Almendres aponta ao nascer do sol.
Ainda que a verdadeira função do Cromeleque e o Menir dos Almendres não seja precisa, a forte ligação que ambos têm à agricultura e pastoreio parece ser inegável. O Professor José Hermano Saraiva, acreditava que o fecundar do ventre terreno com falos em pedra era uma forma de culto à fertilização das terras para a lavoura.

Menires decorados


 O Menir e mais dez dos monólitos do cromeleque dos Almendres apresentam decorações em relevo e tamanho natural que também nos remetem para a lavra e a criação de gado. Estas são denominadas de báculos, ou seja, gravuras em forma de cajado de pastor. Outras gravuras predominantes nos menires deste monumento são linhas onduladas e radiais, círculos e covinhas. Os menires estão, actualmente, todos numerados. Os decorados, e por isso imperdíveis, são os 5, 13, 48, 56, 57, 58, 64, e 76., sendo que o:
  - Menir 48: apresenta uma pequena figura antropomórfica associada a um báculo.
 - Menir 57: numa face propositalmente aplainada mostra uma série de treze relevos em forma de báculos. Essas figuras ocorrem também noutros menires e são, provavelmente, representações de objetos de prestígio social construídos em xisto e materiais perecíveis. De facto, báculos de xisto são encontrados em monumentos megalíticos alentejanos.
 - Menir 56: numa face aplainada apresenta uma representação estilizada de uma grande face humana, com nariz, olhos e boca. Pode ser considerado uma estátua-menir.
 - Menir 76: também possui uma figura antropomórfica, como o menir 56. A decoração de ambos se assemelha ao de menires do Cromeleque da Portela de Mogos.
 - Menir 64: localizado próximo ao centro do recinto maior, apresenta relevos em forma de raquetas e círculos.
 - Menir 58: possui três representações de discos solares, associados a linhas onduladas que representam raios.


O Menir dos Almendres fica bastante perto do Cromeleque dos Almendres e ambos estão intimamente relacionados. Visto a partir do Cromeleque, o Menir indica o nascer do Sol no Solstício de verão (o maior dia do ano). 


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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

MÉRIDA



Mérida, também referida como Augusta Emerita, foi uma colónia romana estabelecida por volta de 25 d.C., pelo legado imperial Publio Carisio por ordem de César Augusto, com a finalidade de estabelecer um posto intermédio para as legisões
Emerita Augusta tornou-se a capital da Lusitânia. Era um enclave estratégico na margem do rio Anas (Guadiana) que servia de eixo de comunicação entre a província Bética com as terras do noroeste peninsular e as do eixo meridional (Olissipo), Lisboa.
O conjunto de ruínas denominou-se Conjunto Arqueológico de Mérida, um dos principais e mais extensos conjuntos arqueológicos de Espanha. Augusta Emérita foi fundada por ordem do imperador Augusto, como prémio para os veteranos da V Legião Alaudae e X legião Gemina, que lutaram contra os cantábricos e os asturianos. Ao longo de 700 anos, a Hispânia fez parte do Império Romano, proporcionando recursos materiais e humanos, ao mesmo tempo que foi uma das regiões mais estáveis do império.
Após a decadência do império romano, a cidade manteve a sua grandeza assumindo-se, na época visigótica, como a segunda cidade, imediatamente a seguir a Toledo, a capital. Durante a época muçulmana, na sequência das contínuas rebeliões dos seus habitantes contra o domínio do califado, Abderramán II ordenou, no ano 842, que, como castigo, a cidade fosse parcialmente destruída. A reconquista cristã, levada a cabo por Afonso IX, contribuiu pouco para o seu desenvolvimento. Com o estatuto autónomo, Mérida começou a tornar-se numa próspera cidade, abarcando as duas margens do Guadiana e, desde 1993, constituindo património mundial.
TEATRO ROMANO

Foi mandado construir pelo Cônsul Marco Agripa, genro do imperador Octávio Augusto, entre os anos 16 e 15 a.C., e tinha uma capacidade para cerca de 6 mil pessoas, que se podiam acomodar entre as suas arquibancadas ou caves, que estão divididas em três anéis. Como era comum, os anéis acolhiam diferentes classes sociais romanas que habitavam a cidade. O teatro romano é o monumento mais emblemático e dos mais visitados em Mérida. Durante o Verão, converte-se num maravilhoso cenário musical e teatral, albergando um dos mais importantes ciclos culturais da cidade.
Marco Agripa, e a título de curiosidade, foi o general máximo do exército romano. Apesar do carácter reservado, conta-se que tentou ao longo da sua vida agradar a Octávio Augusto, seu sogro, na esperança de um dia vir a ser imperador.O Teatro sofreu várias remodelações, a mais importante foi em finais do século I, na época do Imperador Trajano, quando se levantou a actual frente do palco, e a outra na época de Constantino I, entre os anos 330-340.

As colunas de mármore, os lintéis, as esculturas e, inclusive, a base do palco são peças originais do teatro romano. Apesar dos visigodos terem destruído o teatro, utilizando as bancadas para reforçar a muralha da cidade, estes elementos foram encontrados em escavações e o seu restauro foi um êxito que recria fielmente o cenário mais refinado do mundo cultural da antiga Mérida... e da actual.As bancadas de mármore que se encontram entre as primeiras filas do teatro eram reservadas aos senadores e daí a utilização de um material mais nobre. As mulheres, os escravos libertados e os escravos ficavam na parte mais alta do anfiteatro.   A construção de Teatros correspondia mais ao interesse político do que aos gostos do povo romano, que preferia o Circo onde se davam as corridas de carros ou, o Anfiteatro, onde se realizavam os combates entre gladiadores e animais.
O Teatro foi colocado de parte no século IV d.C. com a oficialização da religião cristã, que considerava de imoral as representações teatrais.  

ANFITEATRO

O Anfiteatro de Mérida foi inaugurado no ano 8 a.C. e situa-se a par com o Teatro Romano, configurando uma grande área pública de espectáculos na capital da antiga Lusitânia. Tem uma forma oval e uma capacidade para 15.000 pessoas, com o comprimento de 126 metros por 102 de largura (arena com 64 por 41 m). Era destinado a lutas entre gladiadores e a corridas. O anfiteatro é composto por seis partes principais: a arena (coberta de areia), onde se davam as lutas e corridas; o local destinado às feras e aos apedrejos dos gladiadores; os corredores (passagens); a spolania, local destinado aos gladiadores; o podium, onde se recebiam os prémios; os corredores de entrada e saída, que eram destinados a combates de gladiadores. O anfiteatro é ainda composto por três anéis, um fosso e as bancadas para os espetadores, nas quais uma parte era reservada às autoridades que patrocinavam os espetáculos e outra às entidades políticas da cidade. Este monumento esteve subterrado durante centenas de anos e só há algumas décadas é que foi descoberto, embora infelizmente tivesse a parte de cima destruída.
O Anfiteatro acolhia lutas de feras, combates entre gladiadores, recriações bélicas e até execuções de escravos. Saudações, aclamações, gritos, rugidos de animais... a vida romana em estado puro. Poderemos entrar nas celas em que eram enjaulados os lutadores e as feras, e até pisar o que antes era o campo de batalha.

O CIRCO

O Circo romano de Mérida foi construído na colónia romana de Emerita Augusta, para os soldados licenciados do exército romano de duas legiões veteranas das Guerras Cantábricas: Legio V Alaudae e Legio X Gemina. O termo emeritus significada em latim "retirado" e referia-se, neste caso, aos soldados distinguidos com honra.
A sua construção teve início nos primórdios do século I d.C. (ano 20) durante a época de Tibério e era o maior dos edifícios de espectáculos da cidade, juntamente com o Anfiteatro. Tinha capacidade para cerca de 30.000 espectadores.
Na lápide comemorativa da restauração do Circo de Mérida (337-340 D.C.) surgem mencionados os imperadores Constâncio, Constantino II e Constante I, filhos de Constantino I
TEMPLO DE DIANA
Ainda hoje este monumento é conhecido como Templo de Diana, talvez, devido a uma lenda criada no século XVII que associava a construção do “Templo de Diana” em honra da deusa romana da caça. A História viria a revelar que, na verdade, o Templo Romano de Mérida foi erigido para prestar homenagem ao Imperador Augusto, venerado como um deus, fazendo parte daquilo que seria o fórum romano. Com as escavações, encontraram-se esculturas da família Imperial e do Senado que demonstra o culto imperial, e não o culto dedicado à deusa Diana. Erigido nos finais do século I a.C., foi modificado nos dois séculos que se seguiram. Assenta num conjunto de colunas de estilo Coríntio e, no século VI foi tomado como palácio dos Condes dos Corbos, chamada a ”Casa dos Milagres”. 
PONTE ROMANA DE MÉRIDA

É a maior ponte sobrevivente do período romano. Inicialmente, o seu comprimento total era de 755 m com 62 vãos. Atualmente permanecem cerca de 60 vãos (três dos quais estão enterrados na margem sul) com um comprimento de 721 m. Incluindo os acessos a estrutura totaliza 790 m.
CASA DO MITREO
É uma casa senhorial romana, situada nos arredores da antiga cidade, próxima da estrada que ligava Mérida a Córdova e da qual se conservam numerosas divisões, algumas com pinturas, que ajudam a compreender a vida dos romanos. Junto desta casa senhorial romana foram encontrados restos relacionados com o culto de Mitra, razão do seu nome “Mitreo”.
Teve a sua construção nos finais do século I e começos do século II d.C. e perdurou com as suas funções até ao século IV. Esta vivenda está articulada em redor de três pátios interiores recebendo muita luz e ventilação. Existem várias habitações de uso familiar. Jardins, dormitórios, casas subterrâneas utilizadas no verão para resguardo das altas temperaturas, cisternas e termas, parecendo uma pequena cidade.Esta casa é composta com três peristilos. Dentro dos muitos mosaicos, há um mais importante chamado de Cósmico que representa o Céu, a Terra e o Mar.

AQUEDUTO DOS MILAGRES













Em Mérida, destacam-se as ruínas do Aqueduto dos Milagres. O Aqueduto dos Milagres é assim chamado devido às manifestações de incredulidade popular que pensavam ser milagre, ter-se conseguido construir esta estrutura. Construído entre o século I a.C. e a segunda metade do século III d. C., serviu para trazer água desde o lago artificial Proserpina até à cidade de Emérita Augusta, sobre a depressão do leito do rio Albarregas, afluente do Guadiana. Mede 830 m de comp. e 25 de altura.


















































































































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quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

GRUTA DO ESCOURAL


Encontrada acidentalmente em 1963, a Gruta do Escoural é uma das mais raras e significativas estações arqueológicas de arte rupestre em território nacional. Em pleno Alentejo, a cerca de 3 Km de Santiago do Escoural, concelho de Montemor-o-Novo, a gruta possui espólio arqueológico que testemunha uma ocupação humana com mais de 50 mil anos. 
A Gruta do Escoural é uma cavidade natural e o sítio está localizado entre as bacias hidrográficas do Tejo, o rio Sado, e da região das planícies alentejanas, na Serra de Monfurado de onde ainda é possível avistar a Serra da Arrábida.
A primeira ocupação da gruta remonta ao Paleolítico Médio, quando grupos de caçadores-coletores Neanderthal a usaram como abrigo temporário para a prática da caça. Com base em provas ósseas no interior da gruta, estes grupos caçavam nas proximidades, auroques, cervos e cavalos. Mais tarde, durante o período Paleolítico Superior (35.000-10.000 a.C.), os residentes constituídos por grupos anatomicamente considerados modernos fizeram a sua marca na caverna.
Deve a sua fama às figuras pintadas e gravadas nas paredes do seu interior durante o período Paleolítico Superior, com datação relativa entre 25.000 e os 12.000 anos a.C
Existem paralelismos estilísticos entre as pinturas e gravuras rupestres do Escoural e algumas estações arqueológicas francesas e espanholas, como são o caso de Altamira, Lascaux, identificadas como pertences ao período da arte paleolítica.
Morfologicamente, e parcialmente selada por um espesso manto de estalagmite, a Gruta do Escoural é constituída por cerca de trinta galerias e diversas salas e corredores, dispostos em vários níveis. A maioria das imagens situa-se no grande e amplo salão central. A representação das gravuras e das pinturas divide-se em dois grupos: Um, constituído por motivos zoomórficos – cavalos e bois, e o outro, de linhas geométricas abstratas ou signos enigmáticos.
Para os equídeos e os bovídeos, o homem do Paleolítico socorreu-se do pigmento negro, enquanto nas composições de sinais e linhas utilizou o vermelho. Um traço largo, firme e seguro delimita as gravuras riscadas nas diversas paredes
O significado original da arte rupestre da Gruta do Escoural é um enigma ainda por decifrar claramente. Poderia, decerto, representar conceitos e símbolos ligados a rituais mágicos e religiosos do Homem pré-histórico, o que configura este espaço como verdadeiro santuário do Paleolítico Superior.
A sua influência é evidenciada por uma rocha santuário contendo pinturas de animais contemporâneos ao período Paleolítico Superior. Mais tarde, quando da emergência do Neolítico (5.000-3.000 a.C.), as comunidades de agricultores e pastores tiraram aproveitamento desta cavidade natural como cemitério para os seus mortos. No final do neolítico a gruta ficou encerrada, mas as populações do Calcolítico (3.000-1.200 a.C.) continuaram na região. A cerca de 600 metros encontra-se um povoado fortificado bem como outros povoados calcolíticos e um tolo (edifício circular) megalítico.











































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